O grupo integrava 34 marinheiros da Organização Revolucionária da Armada, revoltosos do 08 de Setembro de 1936, grevistas do 18 de Janeiro de 1934 da Marinha Grande, 50 detidos da prisão de Angra do Heroísmo e ainda presos políticos até então dispersos por diferentes estabelecimentos de Portugal Continental.
No conjunto, os primeiros prisioneiros do Tarrafal tinham origem no escol das organizações de oposição, o Secretariado do PCP, a Comissão Intersindical e a Confederação Geral do Trabalho. A maioria dos prisioneiros tinha partido de Lisboa a 18 de Outubro, no paquete Luanda, que recolheu presos na Madeira e em Angra, chegando à ilha de Santiago a 29 de Outubro.
Criado por decreto a 23 de Abril de 1936, o campo de concentração do Tarrafal seria encerrado em 1954, mas reaberto pouco depois, com a eclosão da luta armada pela independência nos territórios africanos sob administração portuguesa.
O campo de concentração levou ao extremo a prática de tortura, destacando-se a severidade da "frigideira" - encarceramento nas celas fechadas de cimento, expostas ao sol. Das centenas de pessoas condenadas houve 32 que não sobreviveram.
Entre os mortos, contam-se Mário Castelhano, líder da Confederação Geral do Trabalho e director do jornal anarco-sindicalista A Batalha, e Bento Gonçalves, antigo secretário-geral do Partido Comunista Português. Entre os sobreviventes do Tarrafal somavam-se Edmundo Pedro, Joaquim de Sousa Teixeira, Josué Martins Romão, Sérgio Vilarigues e José Barata Júnior..
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