frases de revolucionário , coloque a sua !!!

O tempo é o único bem totalmente irrecuperável. Recupera-se uma posição, um exército e até um país, mas o tempo perdido, jamais."
Napoleão Bonaparte

terça-feira, 29 de maio de 2012


Silêncio coletivo dos militares e falta de foco são armadilhas no caminho da Comissão da Verdade, adverte jurista
O silêncio em massa dos militares (garantido por habeas corpus), a falta de foco nas investigações e a tendência à judicialização são algumas das armadilhas que a Comissão da Nacional da Verdade vai enfrentar nos próximos meses. Na avaliação do jurista Dimitri Dimoulis, professor da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, se não conseguir desarmá-las, o grupo corre o risco de produzir um relatório frouxo e de pouca utilidade para o esclarecimento dos fatos.
Dimoulis formou-se em direito pela Universidade Nacional de Atenas e é pós-doutorado pela Universidade Saarland, na Alemanha. Ensina direito público e também dirige o Instituto Brasileiro de Estudos Constitucionais. Na entrevista a seguir, ele analisa os problemas no caminho da Comissão.
Entre os países da América Latina que enfrentaram ditaduras, o Brasil foi o último a criar uma comissão da verdade. Como vê isso?
A ideia de comissão da verdade como instrumento de reparação histórica é nova e tem várias vantagens. A principal delas é o efeito educativo. Quanto ao atraso, não é significativo. É melhor agora do que nunca. O problema que vejo pela frente são as armadilhas no caminho da comissão.
Que tipo de armadilha?
Uma delas é o foco de investigação muito amplo, abrangendo crimes desde a época de Getúlio Vargas. Outra é a limitação dos poderes investigativos. O pessoal do Exército pode simplesmente resolver não responder a nenhuma pergunta.

O que recomenda?

Não há manual de instruções. Mas existem pontos para os quais a comissão deve ficar atenta para não produzir um relatório vago, na linha todo mundo é culpado, lamentamos e pedimos desculpas. A ideia de que uma comissão constituída pelo Estado possa descobrir a verdade é problemática.  Em um regime pluralista, aberto, democrático, será que podemos ter esse tipo de ilusão? Não tenho muita certeza. Onde está a verdade? Numa caixinha? Não sei. Será que sete ou dez pessoas podem descobrir a verdade? Sou a favor da comissão da verdade, mas acho que deveríamos nos dedicar mais à reflexão sobre o que nos aguarda.

O que nos aguarda?

Como já mencionei, um dos principais risco é o campo muito amplo de investigação. Não é possível investigar tudo. Sou a favor de se definir um período e os tipos de casos a serem investigados. Pode-se estabelecer que o foco recairá sobre casos de tortura e os desaparecimentos de pessoas. Alguém pode dizer: vamos perder uma chance histórica de investigar tudo. Respondo que quem trabalhar com essa pretensão não leva a lugar nenhum.

E quanto ao silêncio dos militares?

Eles podem continuar alegando que não possuem arquivos e recorrer ao habeas corpus para não depor perante a comissão. Que tipo de estratégia ela deve adotar numa situação dessas? Uma alternativa é recorrer a arquivos que existem aqui e no exterior, como aconteceu na Guatemala, Argentina e outros países. Nenhuma comissão da verdade começa do zero. No caso brasileiro existe muita documentação. Processos que foram abertos no Uruguai, Chile e Argentina sobre a Operação Condor revelam muito sobre a ditadura brasileira. As organizações não governamentais tem muito material.

Não é possível fazer nada diante da negativa em massa?

A questão dos militares é política e complexa e deve ficar clara desde já. O que sendo está investigado basicamente é o Exército, as forças de segurança, a polícia. Se eles negam em massa, o que vai dizer a comissão? Infelizmente não pode fazer nada. A grande armadilha nesse caso seria judicializar o trabalho. Qualquer réu tem o direito de ficar calado no processo penal. Cabe à comissão numa situação dessas definir uma estratégia clara para enfrentar o problema. Não adiante se conformar e daqui a dois anos, no relatório final, apresentar um pedido de desculpas sobre o que ocorreu. Quanto a isso já temos um bom relatório, produzido pelo Ministério da Justiça. É preciso ir além. Já sabemos muitas coisas sobre o lado das vítimas. E o dos agressores? Será que José torturou? Quem teve responsabilidades? A conclusão mais triste seria a dos bodes expiatórios: dizer que algumas pessoas, de maneira isolada, como uma espécie de psicopatas, começaram a torturar pessoas. Não adianta apenas mencionar mais uma vez o major Curió e o coronel Ustra. Vai ficar a pergunta: qual foi o general que mandou? 

Apontaria alguma outra armadilha?
 Os arquivos da repressão nem sempre dizem a verdade. Por causa disso acho necessário incluir pelo menos um historiador na assessoria da comissão. Não pode ser só uma comissão de notáveis, com reputação ilibada e conhecimento jurídico. Tem que se levar em conta questões técnicas. Se procuramos a verdade, temos que ter que pessoas qualificadas para chegar a ela.

domingo, 20 de maio de 2012

Mulheres Bem Resolvidas / Feministas: Presidenta Dilma receberá R$ 20 mil de indenização...

Mulheres Bem Resolvidas / Feministas: Presidenta Dilma receberá R$ 20 mil de indenização...: Governo do Rio informou que indenização será paga até o fim de junho. Segundo porta-voz do Planalto, a presidente doará valor ao grup...

Dilma vai doar indenização de R$ 20 mil ao grupo Tortura Nunca Mais

15:25 - 18/05/2012
A presidenta Dilma Rousseff vai doar ao grupo Tortura Nunca Mais a indenização de R$ 20 mil que vai receber do governo do Rio de Janeiro por ter sido interrogada e torturada no estado durante a ditadura militar. A informação foi divulgada hoje (18) pelo porta-voz da Presidência, Thomas Traumann.
O Tortura Nunca Mais foi fundado em 1985, no Rio de Janeiro, por ex-presos políticos que viveram situações de tortura durante o regime militar e por familiares de mortos e desaparecidos políticos. O grupo atua na defesa dos direitos humanos e na luta pelo esclarecimento das circunstâncias de morte e desaparecimento de militantes políticos.
Dilma Rousseff participou da militância política contra o regime militar, foi presa em 1970 e ficou dois anos e meio na prisão – a maior parte do tempo no Presídio Tiradentes, em São Paulo. 
Além de Dilma, outras pessoas que entraram com pedido de reparação do estado receberão a indenização. O pedido de desculpas oficial do governo e a entrega da indenização às vítimas da ditadura ocorrerá no dia 4 de junho, no Rio de Janeiro.



Fonte: Agência Brasil

LEVANTE | Levante Popular da Juventude

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segunda-feira, 7 de maio de 2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

Governo sírio tortura prisioneiros, diz Anistia Internacional

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Assad_em_panfletoBrasília - Relatório da Anistia Internacional mostra que pessoas detidas pelas autoridades sírias estão sendo sistematicamente torturadas. O grupo de direitos humanos diz que oficiais estão utilizando técnicas que incluem suspender e espancar os prisioneiros com os punhos e com a parte traseira de armas. Muitos que deram testemunhos à Anistia disseram que crianças estão entre as vítimas de tortura. As autoridades sírias negam as acusações.
"Os testemunhos que ouvimos dão esclarecimentos perturbadores sobre um sistema de detenção e interrogatórios que, um ano após o início dos protestos, parece ser destinado principalmente a degradar, a humilhar e a aterrorizar as vítimas para que fiquem em silêncio", disse Ann Harrison, do Programa de Oriente Médio e Norte da África da Anistia Internacional.
A organização diz ainda que seu relatório, intitulado Eu Queria Morrer, é baseado em testemunhos coletados durante visita à Jordânia em meados de fevereiro, quando os pesquisadores falaram com dezenas de pessoas que haviam deixado a Síria. Cerca de 25 dos entrevistados disseram ter sido torturados ou maltratados durante a prisão, de acordo com o documento. Acrescenta que é difícil verificar a veracidade dos relatos por causa das severas restrições à presença de jornalistas estrangeiros no país.
A Anistia lembra que os maus-tratos começavam a partir do momento que as pessoas eram presas e evoluíam para uma surra prolongada quando elas chegavam aos centros de detenção. "Elas sofriam surras prolongadas e constantes com [os soldados utilizando] os punhos e vários instrumentos, incluindo bastões e cabos elétricos, além de chutes", informa o relatório. Os detentos eram frequentemente deixados nús e expostos durante 24 horas.
O relatório registrou também métodos de tortura específicos que estariam sendo usados, como o shabeh, em que a vítima é suspensa por um gancho para que seus pés fiquem pouco acima do chão, e a eletrocussão, em que a vítima é molhada e uma carga elétrica é aplicada ao chão, também molhado.
A Anistia Internacional está exigindo que as autoridades sírias parem de fazer prisões arbitrárias de pessoas que expressam pacificamente sua oposição ao governo e que acabem com o uso da tortura e de outros tipos de maus-tratos. O grupo também pede que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) dê ao Tribunal Penal Internacional a missão de investigar o que seriam crimes contra a humanidade.
O relatório foi divulgado pouco depois que a ONU anunciou que enviaria observadores de direitos humanos aos países que fazem fronteira com a Síria para coletar relatos de testemunhas sobre as "atrocidades" cometidas no país.
No último mês, um grupo de investigadores independentes da ONU, comandado pelo diplomata brasileiro Paulo Pinheiro, informou que as forças sírias cometeram crimes contra a humanidade, incluindo assassinato e tortura sob ordens do governo do presidente Bashar Al Assad (foto).
Fonte: BBC

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A agenda de Dilma

Imagen tomada de http://somoslanoticia.com/
“Prefiro um milhão de vozes críticas ao silêncio das ditaduras” Dilma Roussef
Escolher o momento para uma visita presidencial pode ser um trabalho sumamente ingrato neste mundo tão imprevisível e mutável. Quando a data da viagem de um chefe de estado é anotada em sua agenda, anunciada e combinada com os anfitriões, geralmente a vida se encarrega de rodeá-la de imprevistos. Os palácios de governo não conseguem controlar o azar nem tampouco prever esses acontecimentos surpreendentes que rarefazem o cenário da chegada de um dignatário.  Bem o sabe Dilma Roussef. Sua presença em Havana foi preparada durante semanas e foi precedida, inclusive, pela do chanceler Antonio de Aguiar Patriota. Tudo parecia firme e bem firme: um cronograma rápido, eficiente, protocolar, focado em temas econômicos e que terminaria com a subida no avião com destino ao Haití. Porém algo se complicou.
Muitos dias antes que a economista e política brasileira aterrizasse no Aeroporto José Martí, morreu um jovem cubano depois de uma greve de fome prolongada. Os meios oficiais apressaram-se a apresentá-lo como um delinqüente comum, mesmo tendo sido detido numa marcha opositora nas ruas de Contramaestre. O discurso do poder radicalizou-se e a temperatura política alcançou esses graus tão bem manejados pelos nossos governantes. Nesse contexto a recém concluída Conferência do PCC converteu-se mais num ato de afirmação do que de mudança, numa declaração de unidade ao invés de abertura. Muitos dos que aguardavam pelo anúncio de transformações políticas profundas perceberam que o evento foi mesmo a última oportunidade perdida pela geração no poder. Um dia depois do seu encerramento, Raúl Castro – o secretário geral do único partido permitido – recebeu Dilma Roussef, a outrora guerrilheira, que hoje dirige um país com diversas forças políticas e uma imprensa muito crítica.
A agenda cubana de Dilma inclui visitar as obras de construção do porto de Mariel e a possível concessão de um novo crédito bancário. O Brasil é nosso segundo sócio comercial na América Latina, porém não se trata somente de uma questão de recursos. Nestes momentos o raulismo urge ser legitimado por outros presidentes da região. Desse modo que por estes dias haverá sorrisos, apertos de mão, juras de “amizade eterna” e fotos, muitas fotos. Os ativistas cívicos – por seu lado – tentarão um encontro com a mulher que foi torturada e encarcerada durante um governo militar, mesmo que existam poucas possibilidades de serem recebidos. Dilma Roussef conversará com Raúl Castro, estará muito perto dele nesta conjuntura delicada em que o azar a colocou. Esperamos que não desperdice a ocasião e seja conseqüente com a fala democrática, ao invés de optar pelo silêncio cúmplice ante uma ditadura.
Nota: Até a próxima sexta-feira, 3 de fevereiro, não saberei se finalmente as autoridades cubanas me permitirão viajar para a apresentação do documentário “Conexão Cuba-Honduras” em Jequié, Bahia. Agradeço de antemão a todos os que têm feito algo para que eu consiga chegar ao Brasil. Meu agradecimento especial ao senador Eduardo Suplicy, ao realizador Dado Galvão, @xeniantunes e demais cidadãos brasileiros.